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Escritas 25.12.01 - inspirado na música LANTERNA DOS AFOGADOS

  • Foto do escritor: Lu_rsr
    Lu_rsr
  • 9 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Hoje eu caminho pelos versos amados, pelos dias tocados, pelos beijos dourados. Onde dores se banham em asas de luz, encontros se desenham em pés de areia, alegrias se transformam em flores de encanto. Na janela do choro, no toque do sussurro, no perfume do ser. Do amor, poucos sabem. Da esperança, poucos sentem. Da fé, poucos veem. Nesse entrelaçar de correntes, destinos e imaginários, cantamos.


Um universo em que o começo está a três letras do seu fim. Te levam para os horizontes das noites e me entregam às estrelas cadentes. Podemos nos ver nessa ilusão ou nos encontrar nesta intuição. Quantos passos precisamos sonhar para vermos aos acordados? Ouvirmos aos afogados? Sentirmos aos desamparados? Passo por voos turbulentos. Ou mares agitados? Um despir dos nobilitados.


Mas quem repara? Na música que encanta a fala, na arte que desenha o dia, no toque que transforma a alma. Vem comigo ou desola ao abrigo. Se não houver sentido, faça crer um amigo. Damos voltas e voltas neste dançar com o antigo. Num triângulo amoroso com o novo passado. Destemido? Ou inconclusivo? Leio, entre olhares, nosso adeus ao fim. Regras ou sentenças? Quantas sangram aos filhos?


Você não precisa de mim, mas aqui estarei até quando precisar. Vivendo entre as ondas do seu sorriso. Entre o calor do seu brilho. Entre o amor do seu espírito. Há olhos que não me deixam existir. Há vozes que me fazem insistir. Há passagens que não aceitam o meu ir. Há cadências que chamam ao meu vir. Vontade? Motivo? Mensagem? Eu sigo quem nasce no incerto, no intrínseco, no etéreo.


Mesmo em silêncio, os calados cantam suas origens. Como quem ouve aos sinos da catedral ao empilhar os tijolos que a erguem. Eu sou o último a saber? Ou o primeiro a viver? Entre versos, arranjos e melodias, encontro a mim. Entre portos, névoas e maresias, encontro a você. Entre estrelas, planetas e cometas, encontro a nós. Para alguns basta estar perto. Para mim, basta estarmos juntos.


Um traçado torto numa espera nostálgica. Uma voz trêmula num chegar melancólico. Um frio áspero num entardecer carente. Por que dorme em ternos e sapatos para o amanhã que nunca chega? A você, eu estendo a mão, abro aos sentidos, limpo aos ouvidos. O escuro também é nosso porto. Sem exigir a balsas, nem coletar a cartões. Entre a lua e os corpos celestes, a Terra nos mantêm.


Rotações longas? Ou transações curtas? Como pode haver dia sem o piscar da noite? Como pode haver inverno sem o farfalhar do outono? O caminho é uma arte que poucos sabem saudar. Sem perceber, adoço com ritmos e pondero com gentilezas. Ainda há espaço para o seu tempo. Venha entre turnos ou vá entre murmúrios. Noites preenchem aos dias e os dias encantam às noites.


Eis aqui a chama do entardecer. Ou raios de um nascer?


Olha para o diferente como se aquele contexto nunca tivesse existido antes dos seus olhos. Questiona às frestas dos futuros como quem se esquece das misérias dos passados. Nós somos as histórias, os ambientes, os organismos. Do vivido e do desvivido. Ignorar ao breu é ignorar à luz. Se abra para a poesia do fluir. Eu estou na percepção do imperceptível, na materialidade do imaterial, na finitude do infinito.


Na fome dos sentidos, engolimos as lágrimas, as letras, os gingados. Como saciar o insaciável? Devoramos ao tempo para preenchermos esse vazio crescente. Ao escuro, você entrega escuridão. Ao claro, você entrega claridade. Até que me vê nas depressões desse abismo entre seus olhos claros e seus olhos escuros. Seu vazio. Confie em minha luz para enxergar ao Universo. Aqui, o nosso é um lugar amado.


Enquanto busca aos motivos, me entrego aos sentidos. Um ser amante no crepúsculo da vida. Dia ou noite? Não vai encontrar amores nas águas da descrença, do desamparo, da insignificância. Razões não cantam sozinhas. Elas dançam comigo e com você quando o nosso viver é crer, acolher, aprender noite e dia. Um brilho que resplandece sob o sol e sob a lua. Tudo flui nos encontros dos desencontros.


Sonho de um outro mundo ou imagem de um novo olhar? Não sei o que esperam desses novos horizontes. Doces para os afogados, amargos para os acordados, insossos para os prodígios. Como quem precisa de razões para ler as entrelinhas em seu ir e vir. Marcas de um velho futuro com perfumes originais. Tão perto e tão longe das nossas ancestralidades. Voltem para as águas da nossa existência.


Aqui é real. Tão intenso quanto um fôlego. Tão vital quanto um respiro. Vejo aos seus olhos nas ondas do abrigo. Sinto aos seus toques nas marés dos despertados. Ouço aos seus cantos nas nuances dos corais. Venha na sua era pela Paz. Venha na sua corrente pelo Ser. Venha no seu amor pelo Aprender. Nosso encontro está nas profundezas desse mar. Na atmosfera de um por vir. Nos traçados ao desconhecido.


O amor não cabe no bolso da capital, nem no alvoroço do desigual. Muito se fala, pouco se escuta. Muito se estuda, pouco se aprende. Muito se computa, pouco se transforma. Um rasgo no peito, um mar de alento. Somos imperfeitos. Distintos, dinâmicos, enigmáticos. Como constelações em dias encantados. Como folhagens em chãos de outono. Como relâmpagos em dias chuvosos. Somos partes desse contexto.


Quem sabe do amor, acolhe a dor, o descaso, a incompreensão. Não julga, nem faz sangrar. Cuida. Cuida do intocável, do escuro, do silêncio. Cuida do tato, da respiração, da intensidade. Sem rios, não há caminhos. Sem ondas, não há ritmos. Sem mares, não há horizontes. Podemos morrer na areia ou nadar pelos infinitos. O que faz valer a vida é sentir ao brilho dos amados, dos acordados, dos afrontados.

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Escrito por Lu_rsr

 
 
 

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