Refelxões 24.05.02
- Lu_rsr

- 10 de mai. de 2024
- 7 min de leitura
O SONHAR DA CONSCIÊNCIA
Nada nem ninguém tem valia equivalente àquela que nós vivemos e àquele que construímos. Porque à nossa História, nós pertencemos e a fazemos existir nesse universo. Não temos como imaginar ao cenário que nos transforma em quem somos. Apenas podemos ouvir e aprender com e sobre ele. A pluralidade dos contextos e percepções de mundo. Nossa diversidade. E, por isso, minha dificuldade em idealizar uma unidade. Como posso eu saber quem é você e o que você precisa (que eu possa oferecer) para seu desenvolvimento – se não o conheço, muito menos ao seu contexto?
Eu vejo e vivo ao amor, ao desenvolvimento, a humanidade. Mas, em igual intensidade, sinto a todo o resto que não vemos – ou não queremos ver. E, ainda que eu aprecie o sonhar da vida, minha preocupação paira sobre o que deixamos de sonhar. Eu desafio ao sistema, mas não luto contra ele. Porque lutar é me espelhar nele: com armas, lutas e jogos entre poderes. Eu olho para a Paz, para o amor, para a humildade, para a Natureza, para o Cosmo e, cada vez que me ameaçam, ofereço a minha compaixão. A dor e o sofrimento me permitem olhar para além do Medo e encontrar o nosso laço Humano; me permitem ver ao que nós fizemos para que esse humano, a minha frente, se visse sem opção, sem saída para além daquela que lhe doí da forma mais perversa nas profundezas do seu Existir. Não precisamos de armas, nem cercas elétricas para nos resguardarmos de uma ilusão ou de um conjunto de visões. Precisamos dos sentidos. Das emoções. Da compreensão. Do Presente. Do agir por, para e com nosso coletivo. Em respeito, em aprendizagem, em desenvolvimento ao contexto, à Natureza, à Existência.
Como me expor – no sentido de possibilitar às pessoas acesso ao que posso oferecer, ao meu agir – à essa complexidade de visões de mundos e de relações?
Somos camundongos girando às rodinhas. Eternamente para além de todos os aspectos da nossa exaustão. Qual será a força motriz que nos levará à corrida para fora da gaiola, para nossa Essência, para nossa Natureza, para nosso Lar?
Olhamos para o universo acadêmico. Senhor dos Saberes. Nos encantam com suas promessas. Nos inundam com suas teorias e perspectivas promissoras. Nos iludem como tantos outros líderes universais. Nos subsidiam ao objetivo. Ou ao “objetivar”. Mesmo que já tenhamos a consciência de que somos seres subjetivos e suscetíveis ao tempo e espaço – ao movimento da Natureza. Agradamos aos diplomas e às certificações. Agimos no objetivo e ignoramos ao subjetivo (ou o romantizamos em demandas). Quão doloroso é nos reduzirmos a palavras, discursos, teorias ou conceitos? Porque a realidade pulsa. Você pulsa, eu pulso. E determinar onde posso pulsar mais significativamente é da mesma ordem daquela complexidade consciencial. Porque todos temos significado e contribuições significativas, sob os mais variados aspectos – eis nossa diversidade – completando à nossa integridade Humana.
Para as pessoas, de forma geral, focar em algo ou alguém, pontuar, delimitar soa e resulta em algo tangível. No entanto, por que temos tanta certeza de que um método é válido? Se a prototipagem não atende nem afeta a todos (e nem teria como), muito menos da mesma forma? É como se déssemos à luz a um ou alguns filhos que queremos que sejam iguais a mim. Porque a mim conheço e prevejo aos comportamentos – aos outros, só posso condicioná-lo aos meus. Onde colocamos a vida desses filhos? Cada “oportunidade” que poderia acontecer se estimulássemos ao desenvolvimento deles a partir do contexto do instante do real Encontro? Por que temos tanta voracidade pelo agir, alcançar, resolver quando a Vida é um eterno encontro do agirmos, alcançarmos, resolvermos? Se eu agir no meu, eu entro em descompasso com o seu. Por isso busco ao Nosso. Onde está esse “nosso” agir?
Nossas trocas sociais e conversas sinceras geram tantos resultados quanto qualquer modelo de negócio válido. Mas esses resultados que falo não são mensuráveis porque afetam ao Nosso melhor desenvolvimento humano. Como seria possível medir ao pôr vir? Se só tenho acesso ao Presente (e a um passado enviesado)? Não necessariamente eu mudo a você, a mim, a alguém ou ao espaço. Mas vibramos em nosso movimento. Acionamos à Vida. E isso é o vejo como “pequeno”. Profundo, real, verdadeiro. Requer tempo, atenção, envolvimento, disponibilidade, abertura. Entrega ao pôr vir. Ouvido às emoções. Compaixão ao inimaginado.
Padrões, de alguma forma, nos fecham a esse pôr vir. Porque criamos expectativas pelos resultados. E, assim, perdemos o interesse (e as oportunidades) pelo Presente, pelo processo, pelo contexto, pelas circunstâncias, pelo acontecer. Só nos voltamos aos melhores acontecimentos, aos melhores resultados e às melhores consequências. Como se a dor e o sofrimento do processo contínuo e sistêmico, como se as sequelas não fizessem parte da Luz, do ofuscamento. Como se o imprevisível ou o inviabilizado, como se as consequências negativas e desastrosas sob algum aspecto – as partes incompletas do sonho – não gerassem seus próprios desdobramentos na complexidade do “feito”. Como se o caos e a desigualdade só estivessem entrelaçados ao nosso evoluir – e, não, à singularidade do nosso agir.
Respiro.
Eu tinha intensão de ser objetiva e sucinta. Agradecer e oferecer aos seus pensamentos a Paz em nós. Mas assim sou: quanto mais me faço restringir, mais forte é meu sentido expansivo, meu pulsar pela Vida, pelo nosso Existir real, completo, integrado e fluido.
Talvez eu não veja sentido em entrar em algum modelo específico ou nas conceituações mercadológicas, capitalistas, setoriais (e fique escorregando e ressignificando as dores que me deparo), mas vejo sentido em continuamente buscar entender como posso possibilitá-los o sair desse sistema.
Nossa energia é mais significante ao mundo do que fazer uma rodinha de camundongo rodar eternamente. Correr sem necessidade é um excesso, é uma violação. Da nossa energia vital. Não é sustentável, nem justificável ao Cosmo. Ainda que possa parecer ter um sentido de “progredir”. Não foi a Natureza que nos colocou ali dentro. Houve um (ou alguns) ser humano que consagrou essa rodinha. Houve um espaço experimental que validou esse protótipo de condicionamento. Resolver ao controlável é tangível, gera resultados. Mas eis aqui uma questão: quais resultados se só olhamos para os melhores? O que é realmente controlável? Ou ainda, enviesado? O que se faz com os aspectos não (pre)vistos? Como esses resultados transformam esse roedor em sua essência original: o ser humano?
Cada pessoa tem um pulsar unicamente seu. Uma energia reverberante. Envolvida por suas memórias, seus afetos, suas crenças e tradições, seu histórico, seus desejos e suas paixões, suas percepções. Não cabe em uma gaiola, nem se limita a um único movimento (correr) ou espaço (rodinha).
O processo de escolha em conjunto de um sofá por uma família de 6 integrantes – gêneros, idades e papeis socias distintos (onde não necessariamente a escolha tenha sido aprovada por todos, mas acordada entre todos); o quanto isso envolve a família a partir da implantação desse elemento motriz na casa deles; o quanto essa realidade permite - mesmo que por instantes - o florescer dos sentidos, o tocar do que definimos por amor, o caminhar pela leveza da nossas complexidades, ainda que nos deparando com incômodos e conflitos. Isso é o meu alimento. A minha força. O encontro com a essência do Ser. Assim eu alcanço aos níveis de consciência, me permitindo sentir à realidade que me é apresentada. O transformar do meu movimento no nosso. É mais simples do que os objetivos e as objetividades que determinamos ou sonhamos, mas não menos desafiador, nem menos angustiante. Nada é mais urgente do que as possibilidades do nosso Ser. A alegria que permeia à família nessa conexão é igualmente valiosa para mim quanto a de outra na escolha de suas plantas para o quintal, ou ainda, a de um indivíduo na escolha de seu utensilio que lhe permitirá o preparo de seu alimento. Não precisamos mobilizar grandes setores, indústrias, entidades, nem exaurir à natureza como recurso ou apelar às tecnologias para revolução. Precisamos do cuidado às nossas relações. Essa é a real potência q cada um de nós carrega. A ordem do singular dentro desse Cosmo.
Cada elemento – seja comprado, ganhando, que eu tenha criado, recrutado ou evocado – carrega uma energia: a da criação, a dos transformadores em todo seu processo de materialização, a dos transportadores, a dos instaladores. Essa é a energia que nos conecta, que nos conscientiza de seu valor circunstancial. Do contato com a nossa efemeridade transformadora. O mesmo posso dizer sobre os espaços, sobre o bairro, sobre a cidade – em referidas proporções. A realidade do nosso Tempo. Minha força está nessas conexões. Eu auxilio o encontrar e o compreender dessas relações. A leitura perceptiva e a representação física do significado e do sentido do que escolhemos como modo existencial – singular e coletivamente.
Assim compartilho minha dificuldade em objetivar algo tão particular e, ao mesmo tempo, universal. Como caracterizo a diversidade do meu afeto laboral em um padrão? A minha sensibilidade, maleabilidade e adaptabilidade ao contexto da realidade que me encontro? Quem tem recursos, tempo ou disponibilidade para me ouvir, se envolver, se comprometer com as energias do nosso escolher? Relações mais simples, espontâneas e naturais de se constituírem – dadas as devidas circunstâncias - do que esse texto soa.
Vivo aberta aos conhecimentos, às percepções e às experiências. E nada que expresso é pessoal a quem me lê. Você faz parte de mim. Me faz viver mais intensamente. Eu sei que estamos submetidos a um sistema. Um sistema que nos consome a Vida, a Esperança, o Amor. Mas a sua Presença me permite atingir outros níveis de consciência. Eu não resolvo aos seus problemas, mas mergulho e descubro em Nós um novo Ser. E, assim, meu fazer está no compartilhar deste, te oportunizando igual mergulho ou descobertas. Da mesma forma, continuamente acolho a cada ensinamento, exercício, momento e movimento que possam me propor! Um agir-reagir que se manifesta nas mais diversas formas, nos mais variados modos, sob os mais variados tempos – é algo intrínseco, para além das palavras ou das ações. Se for do seu sentir, assim o será – em seu tempo.
Não estou aqui para destruir ao construído, nem negar ao desejado, mas para te encontrar em sua História nessa desconstrução que vivo.
Escrito por @Lu_rsr

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